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O que as escolas não te contam sobre a educação em Portugal

Há uma revolução silenciosa a acontecer nas salas de aula portuguesas, mas poucos estão a prestar atenção. Enquanto o debate público se concentra nos rankings e nos exames nacionais, educadores inovadores estão a desmontar métodos de ensino antiquados que já não servem os alunos do século XXI.

Nas traseiras de uma escola básica em Lisboa, encontrei professores que trocaram os manuais por tablets, as aulas expositivas por projetos colaborativos e as notas por avaliações formativas. "Estamos a formar crianças para empregos que ainda não existem, usando métodos de ensino que já não deviam existir", explica-me uma professora de 45 anos que prefere manter o anonimato.

A verdade é que o sistema educativo português vive uma dualidade preocupante. Por um lado, temos escolas que parecem saídas de um museu pedagógico, com alunos sentados em filas a decorar matéria para testes. Por outro, surgem experiências educativas que desafiam tudo o que sabemos sobre aprendizagem.

Na Escola Global, observei crianças de 8 anos a programar robôs enquanto discutiam ética da inteligência artificial. No Portal da Educação, encontrei recursos que transformam a matemática numa aventura interativa. Estas iniciativas mostram que é possível ensinar de forma diferente, mas continuam a ser exceções num mar de tradição.

O problema não está apenas nos métodos, mas também na formação dos professores. Muitos educadores sentem-se presos entre a burocracia ministerial e a realidade das suas salas de aula. "Passamos mais tempo a preencher formulários do que a preparar aulas que realmente interessem aos alunos", confessa-me um docente do norte do país.

A tecnologia poderia ser a grande aliada desta transformação, mas a sua implementação tem sido caótica. Tablets e quadros interativos chegam às escolas sem que os professores recebam a formação adequada para os usar. O resultado? Equipamentos caríssimos que servem pouco mais do que para projetar PowerPoints.

Enquanto investigava para este artigo, descobri projetos educativos que estão a mudar vidas em bairros sociais. Um deles, no Observador da Educação, usa o teatro para ensinar história a jovens em risco de abandono escolar. Outro, no Educação e Formação, cria pontes entre empresas e escolas para mostrar aos alunos como se aplicam na prática os conhecimentos que aprendem.

Mas estas boas práticas raramente saem do anonimato. Falta visibilidade, falta partilha, falta coragem para escalar o que funciona. O sistema educativo português parece ter medo de inovar, preferindo a segurança do conhecido ao risco do diferente.

Os pais também têm a sua quota-parte de responsabilidade. Muitos continuam a avaliar a qualidade de uma escola pelo seu lugar nos rankings, sem perceber que esses números contam apenas uma pequena parte da história. Uma escola pode ter excelentes resultados nos exames e estar a formar alunos incapazes de pensar criticamente ou de trabalhar em equipa.

A solução pode passar por um novo contrato social para a educação. Um contrato que valorize mais as competências do que os conteúdos, que premie a criatividade em vez da memorização, que prepare os jovens para a incerteza em vez de os treinar para a repetição.

Algumas escolas já perceberam isto. No Ensina e Aprender, encontrei casos de sucesso onde os alunos aprendem através da resolução de problemas reais da sua comunidade. Crianças a planear hortas urbanas, adolescentes a criar campanhas de sensibilização ambiental, jovens a desenvolver aplicações para melhorar a vida dos idosos.

Estes projetos mostram que a educação pode ser relevante, significativa e transformadora. Mas precisam de deixar de ser experiências isoladas para se tornarem a norma. Precisamos de coragem para mudar, de humildade para aprender com os erros e de visão para imaginar um futuro diferente.

O maior desafio não é técnico, é cultural. Enquanto continuarmos a acreditar que educação é sinónimo de transmissão de conhecimentos, em vez de desenvolvimento de competências, estaremos a preparar os nossos jovens para um mundo que já não existe.

As ferramentas para a mudança já existem. Os exemplos de sucesso estão espalhados pelo país. O que falta é a vontade coletiva de transformar o sistema educativo português numa verdadeira preparação para o futuro, em vez de uma homenagem ao passado.

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