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A revolução silenciosa: como a energia solar está a transformar Portugal sem que ninguém dê por isso

Há uma revolução a acontecer nos telhados de Portugal, mas quase ninguém está a prestar atenção. Enquanto os debates políticos se concentram em megaprojetos e centrais a gás, milhares de portugueses estão a tomar nas suas próprias mãos o futuro energético do país. A energia solar distribuída cresceu 47% no último ano, segundo dados da Direção-Geral de Energia e Geologia, mas esta história não aparece nas primeiras páginas dos jornais.

Os números contam apenas parte da história. Em Trás-os-Montes, uma pequena aldeia com 80 habitantes tornou-se autossuficiente em energia. Em Alentejo, uma cooperativa de agricultores partilha excedentes solares através de uma blockchain desenvolvida por uma startup portuguesa. Em Lisboa, um prédio centenário no Chiado produz mais energia do que consome desde que os moradores se juntaram para instalar painéis solares no telhado.

O que torna esta revolução particularmente portuguesa é a forma como está a acontecer. Não são apenas os ricos a aderir - famílias de classe média, pequenas empresas e até escolas públicas estão a descobrir que a energia solar já não é um luxo, mas uma necessidade económica. O preço dos painéis caiu 89% na última década, enquanto o custo da eletricidade da rede subiu 34% no mesmo período. A matemática tornou-se irresistível.

Mas há obstáculos invisíveis. A burocracia para ligar um sistema solar à rede ainda demora em média 68 dias, segundo a APREN. E enquanto o governo promete simplificar os processos, no terreno os técnicos das câmaras municipais muitas vezes não sabem como lidar com os novos regulamentos. "É como tentar encaixar tecnologia do século XXI em legislação do século XX", desabafa um instalador do Porto que prefere não se identificar.

O verdadeiro segredo, porém, está no que acontece a seguir. Portugal tem o dobro da radiação solar da Alemanha, mas apenas um décimo da capacidade solar per capita. E enquanto a Alemanha atingiu o pico da sua instalação solar há uma década, Portugal está apenas no início da curva. Os especialistas estimam que poderíamos cobrir 25% do nosso consumo elétrico apenas com painéis nos telhados existentes - sem ocupar mais um único metro quadrado de terreno.

Esta não é apenas uma história sobre painéis solares. É sobre como a tecnologia está a devolver o poder às pessoas. É sobre como uma família em Bragança pode agora produzir a sua própria eletricidade por menos de metade do preço que pagava à EDP. É sobre como um café em Coimbra reduziu a sua fatura energética em 80% e reinvestiu essas poupanças em salários mais altos para os seus empregados.

O que falta para esta revolução se tornar completa? Primeiro, educação. Muitos portugueses ainda acham que a energia solar é complicada ou cara. Segundo, financiamento. Os bancos portugueses estão lentamente a acordar para o potencial, mas os empréstimos para eficiência energética ainda representam menos de 1% das suas carteiras. Terceiro, visão política. Precisamos de planos municipais que incentivem ativamente a energia solar, não apenas de regulamentos que a permitem.

Enquanto escrevo estas linhas, o sol brilha sobre Portugal. Estamos a desperdiçar o nosso recurso mais abundante. Mas a boa notícia é que a solução está literalmente sobre as nossas cabeças. Nos telhados das nossas casas, escolas e empresas. A revolução solar portuguesa não precisa de heróis - precisa apenas de pessoas comuns a tomar decisões comuns. E isso, talvez, seja a parte mais revolucionária de todas.

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