Seguros em Portugal: o que os portugueses ainda não sabem sobre proteção financeira

Seguros em Portugal: o que os portugueses ainda não sabem sobre proteção financeira
Num país onde a palavra 'seguro' ainda provoca arrepios a muitos, a realidade é que os portugueses continuam subprotegidos face aos riscos financeiros do dia a dia. Enquanto navegamos por águas turbulentas de inflação e incerteza económica, a verdadeira proteção parece ser a grande ausente nas carteiras das famílias.

Os dados mais recentes revelam que apenas 35% dos portugueses têm um seguro de vida, um número alarmante quando comparado com a média europeia de 62%. Esta lacuna deixa milhares de famílias vulneráveis a eventos imprevistos, desde acidentes até doenças graves que podem comprometer o sustento familiar.

A revolução digital veio mudar as regras do jogo. As seguradoras tradicionais, outrora gigantes intocáveis, enfrentam agora a concorrência feroz das insurtechs - startups que usam tecnologia para oferecer produtos mais baratos e personalizados. A batalha pelo cliente nunca foi tão acirrada, e os consumidores são os grandes beneficiários desta guerra de preços e inovação.

Mas será que sabemos realmente o que estamos a comprar? A complexidade das apólices e a linguagem técnica continuam a ser barreiras intransponíveis para muitos. Termos como 'franquia', 'cobertura adicional' ou 'período de carência' transformam-se em labirintos onde os clientes se perdem, muitas vezes assinando contratos que não compreendem na totalidade.

Os seguros de saúde merecem capítulo à parte. Com o Serviço Nacional de Saúde sob pressão, cada vez mais portugueses procuram alternativas privadas. No entanto, os preços dispararam nos últimos anos, tornando alguns planos praticamente inacessíveis para a classe média. A pergunta que fica no ar: vale a pena pagar centenas de euros por mês por uma cobertura que pode nunca ser usada?

O setor automóvel apresenta outra faceta curiosa. Portugal tem uma das taxas mais altas de veículos sem seguro na Europa ocidental. Estima-se que cerca de 8% dos carros circulem ilegalmente, um número que assusta qualquer condutor responsável. As consequências de um acidente com um condutor não segurado podem ser devastadoras financeiramente.

As alterações climáticas trouxeram novos desafios. Seguros contra cheias, incêndios ou tempestades tornaram-se necessidades urgentes, especialmente em zonas de risco. No entanto, muitas seguradoras estão a retirar-se destes mercados ou a aumentar dramaticamente os prémios, deixando comunidades inteiras à mercê da natureza.

A fraude continua a ser um cancro que consome milhões anualmente. Desde sinistros encenados até exageros nas indemnizações, o setor estima que cerca de 15% dos pedidos de compensação contenham elementos fraudulentos. Esta realidade acaba por ser paga por todos os clientes através do aumento geral dos prémios.

O futuro aponta para seguros cada vez mais personalizados. Tecnologias como IoT e big data permitem criar produtos adaptados ao perfil exacto de cada cliente. Seja através de dispositivos que monitorizam a condução ou apps que analisam hábitos de saúde, a era dos seguros 'tamanho único' está a chegar ao fim.

A literacia financeira surge como a chave para desbloquear este mercado. Educar os portugueses sobre a importância da proteção financeira não é apenas uma responsabilidade das seguradoras, mas sim uma necessidade nacional. Escolas, associações de consumidores e media têm papel crucial nesta missão.

No final do dia, a questão fundamental permanece: até que ponto estamos dispostos a arriscar? Num mundo cada vez mais imprevisível, a verdadeira paz de espíito pode ter um preço - e esse preço chama-se seguro.

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