Num país onde os cães e gatos dominam as estatísticas dos seguros de animais de estimação, existe um universo paralelo de tutores que enfrentam desafios únicos. Donos de iguanas, furões, papagaios e até ouriços-cacheiros navegam num labirinto burocrático que poucos conhecem.
A realidade é surpreendente: enquanto 78% dos tutores de cães e gatos consideram seguro de saúde essencial, apenas 12% dos donos de animais exóticos têm cobertura. Os motivos? Falta de informação, preços proibitivos e, sobretudo, a escassa oferta no mercado português.
Maria Inês, tutora de um furão chamado Loki, partilha a sua odisseia: "Liguei para quinze seguradoras diferentes. Treze disseram que não cobriam furões. As outras duas pediam valores absurdos - mais de 400 euros anuais". A sua experiência reflecte um problema sistémico: a indústria seguradora ainda não se adaptou à diversidade faunística dos lares portugueses.
Os custos veterinários para animais exóticos podem atingir valores astronómicos. Uma cirurgia de emergência num papagaio pode custar 1500 euros, enquanto o tratamento de uma doença metabólica óssea num réptil facilmente ultrapassa os 800 euros. Sem seguro, muitas famílias enfrentam escolhas dolorosas entre a saúde financeira e o bem-estar do animal.
O veterinário especializado Dr. Ricardo Almeida alerta: "Muitos tutores subestimam os custos de saúde dos animais exóticos. Acham que por serem pequenos ou diferentes, serão mais baratos de tratar. A realidade é exactamente o oposto".
A burocracia é outro obstáculo. Seguradoras que aceitam animais exóticos exigem frequentemente exames prévios extensivos, declarações de origem legal e até certificados de especialistas em comportamento animal. Um processo que pode levar semanas e custar centenas de euros antes mesmo da apólice ser activada.
Mas há luz no fim do túnel. Nos últimos dois anos, três seguradoras nacionais começaram a oferecer coberturas adaptadas para animais exóticos. Os preços ainda são elevados - entre 200 e 600 euros anuais - mas representam um avanço significativo.
A PetSafe, uma dessas seguradoras, desenvolveu um programa pioneiro. "Criámos perfis de risco específicos para cada espécie", explica Sofia Martins, directora de produtos. "Um coelho tem necessidades diferentes de um lagarto, que por sua vez é diferente de um porquinho-da-índia".
Os especialistas recomendam que os tutores comecem por consultar associações de criadores e veterinários especializados. Muitos mantêm parcerias com seguradoras que oferecem condições preferenciais. Outra estratégia é negociar em grupo - vários tutores da mesma espécie podem conseguir descontos significativos.
O futuro parece promissor. Com o aumento de 47% na posse de animais exóticos em Portugal nos últimos cinco anos, o mercado segurador começa a acordar para esta realidade. Novas tecnologias, como telemedicina veterinária e aplicações de monitorização contínua, estão a baixar custos e a tornar os seguros mais acessíveis.
Para já, o conselho é claro: investigue, compare e não desista. O seu animal exótico merece a mesma protecção que qualquer outro membro da família. A indústria está a evoluir, e em breve, esperamos que nenhum tutor tenha de escolher entre a carteira e o companheiro de quatro patas - ou escamas, ou penas.
O que ninguém te conta sobre os seguros de animais exóticos em Portugal
