Seguro para animais de estimação: o guia definitivo que os portugueses precisam

Seguro para animais de estimação: o guia definitivo que os portugueses precisam
Num país onde mais de metade dos lares tem pelo menos um animal de estimação, a questão dos seguros para pets continua a ser um território praticamente inexplorado. Enquanto nos Estados Unidos e no Reino Unido estes seguros são tão comuns como o ração para gatos, em Portugal ainda caminhamos a passos lentos nesta direção. Mas porquê? A resposta pode estar mais na falta de informação do que no preço.

A verdade é que os custos veterinários não param de subir. Uma simples consulta de rotina pode custar entre 25 a 50 euros, mas quando falamos de emergências, os valores disparam para centenas, por vezes milhares de euros. Lembro-me de conhecer uma família de Lisboa que teve de desembolsar 1200 euros quando o seu golden retriever ingeriu acidentalmente um brinquedo. Situações como esta não são raras, e é precisamente aqui que o seguro para animais poderia fazer a diferença.

Existem basicamente três tipos de coberturas disponíveis no mercado: os seguros de acidentes, que cobrem apenas situações de emergência; os seguros de acidentes e doenças, que incluem tratamentos para patologias; e os seguros completos, que além dos anteriores, incluem consultas de rotina, vacinas e até mesmo cuidados dentários. Cada um tem o seu preço e a sua utilidade, dependendo sempre das necessidades específicas do animal e do orçamento familiar.

Mas atenção: nem todos os seguros são iguais. É fundamental ler as letras pequenas. Muitas apólices excluem raças consideradas de risco, animais com mais de 8 anos, ou condições pré-existentes. Outras têm períodos de carência que podem variar entre 14 a 30 dias para doenças, e até 48 horas para acidentes. Estas são armadilhas que muitos donos só descobrem quando precisam realmente do seguro.

O custo médio mensal varia entre 10 a 30 euros para cães, e 8 a 20 euros para gatos, dependendo da raça, idade e coberturas escolhidas. Pode parecer um valor significativo, mas quando comparado com uma cirurgia de emergência que pode custar 2000 euros, rapidamente se percebe o potencial de poupança.

Curiosamente, os seguros para gatos tendem a ser mais baratos não porque os felinos sejam mais saudáveis, mas porque estatisticamente visitam menos o veterinário. No entanto, quando adoecem, os custos podem ser igualmente elevados. Um tratamento para insuficiência renal felina, por exemplo, pode facilmente ultrapassar os 1000 euros.

Para animais idosos ou com condições crónicas, a situação complica-se. Muitas seguradoras simplesmente recusam cobrir animais com mais de 10 anos, ou cobram prémios tão elevados que se tornam proibitivos. Nestes casos, a melhor alternativa pode ser criar uma poupança específica para emergências veterinárias.

Uma tendência que começa a ganhar força são os seguros que incluem coberturas adicionais, como responsabilidade civil (importante para raças consideradas potencialmente perigosas), perda ou roubo do animal, e até mesmo despesas de alojamento caso o dono tenha de ser hospitalizado. São pequenos extras que podem fazer toda a diferença em situações imprevistas.

O processo de escolha deve ser meticuloso. Comece por comparar várias seguradoras, peça orçamentos personalizados, verifique as exclusões e limites de cada apólice, e não se esqueça de consultar as opiniões de outros clientes. As redes sociais e fóruns especializados podem ser excelentes fontes de informação sobre a real performance das seguradoras quando chega a hora de pagar.

Vale a pena mencionar que alguns veterinários começam a oferecer planos de saúde próprios, que funcionam de forma semelhante aos seguros, mas com a vantagem de serem aceites apenas naquela clínica específica. São uma alternativa interessante, especialmente para quem tem uma relação de confiança estabelecida com um determinado profissional.

No final, a decisão de contratar um seguro para o animal de estimação deve ser tomada com a mesma seriedade com que escolhemos o nosso próprio seguro de saúde. Afinal, para muitas famílias portuguesas, os pets não são animais - são membros da família. E como tal, merecem a melhor proteção possível.

O futuro dos seguros para animais em Portugal parece promissor. Com o aumento da consciencialização sobre o bem-estar animal e os avanços na medicina veterinária, é provável que nos próximos anos assistamos a uma diversificação de produtos e a uma maior competitividade no sector. Até lá, informar-se continua a ser a melhor estratégia para tomar a decisão certa.

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