Seguro para animais de estimação: o que ninguém te conta sobre as letras pequenas

Seguro para animais de estimação: o que ninguém te conta sobre as letras pequenas
Quando levamos o nosso cão ou gato ao veterinário, raramente pensamos no custo. Até ao dia em que uma emergência nos obriga a escolher entre a saúde do nosso companheiro e as contas do mês. Em Portugal, cada vez mais tutores consideram o seguro para animais de estimação, mas será que conhecem realmente o que estão a contratar?

A primeira coisa que descobrimos ao investigar este mercado é que as apólices variam mais do que as raças de cães numa exposição canina. Há seguros que cobrem apenas acidentes, outros que incluem doenças, e alguns mais completos que até pagam tratamentos dentários ou fisioterapia. O problema? Muitos tutores assinam contratos sem perceber que certas condições pré-existentes, como alergias diagnosticadas antes da contratação, ficam automaticamente excluídas.

Durante semanas, entrevistámos veterinários, seguradoras e, mais importante, donos que já passaram por situações complicadas. A história da Maria, de Lisboa, é reveladora: o seu gato Simão precisou de uma cirurgia urgente, mas o seguro recusou-se a pagar porque considerou que o problema era 'pré-existente', apesar de nunca ter sido diagnosticado. 'Paguei 1200 euros do meu bolso e ainda tive de lutar meses com a seguradora', conta-nos, visivelmente emocionada.

Outro aspecto pouco falado são os limites anuais. Muitas apólices parecem vantajosas até percebermos que têm um teto máximo por ano - e uma única cirurgia complexa pode esgotar esse limite rapidamente. O Dr. Ricardo Silva, veterinário com 20 anos de experiência, confirma: 'Já vi casos em que os donos pensavam estar cobertos para tudo, mas depois de um tratamento oncológico caro, o seguro deixou de cobrir até consultas de rotina no mesmo ano.'

A idade do animal é outra armadilha. A maioria das seguradoras estabelece limites: não aceitam animais com mais de 8 ou 9 anos para novos contratos, e muitas aumentam significativamente os prémios à medida que o animal envelhece. Isto significa que quando o nosso companheiro mais precisa - na velhice - podemos ficar sem cobertura ou enfrentar custos proibitivos.

Mas não são apenas más notícias. Encontrámos também histórias de sucesso. O João, do Porto, contratou um seguro quando adotou a cadela Luna e, dois anos depois, ela desenvolveu uma doença autoimune rara. 'Foram mais de 5000 euros em tratamentos, e o seguro cobriu 80%. Sem isso, não sei o que teria feito', partilha. A chave, segundo ele, foi ler cada linha do contrato e fazer perguntas incómodas ao mediador.

Curiosamente, descobrimos que muitas pessoas não sabem que podem negociar certos aspetos da apólice. Co-pagamentos, franquias, e até a inclusão de tratamentos alternativos como acupuntura podem ser discutidos. 'Os portugueses são muito passivos na hora de contratar seguros', observa Sofia Martins, mediadora de seguros especializada em animais. 'Deviam tratar estas contratações com a mesma atenção que têm quando compram uma casa.'

E os animais exóticos? Aqui o cenário é ainda mais complexo. Coelhos, furões, aves e répteis têm dificuldade em encontrar cobertura, e quando a encontram, os preços são consideravelmente mais altos. Um criador de iguanas confessou-nos que gasta mais em seguros do que em alimentação para os seus animais.

O que mais nos surpreendeu nesta investigação foi descobrir que algumas seguradoras oferecem serviços adicionais valiosos que poucos utilizam. Linhas de apoio veterinário 24 horas, programas de prevenção com descontos em rações especiais, e até cobertura em viagens ao estrangeiro são benefícios frequentemente ignorados pelos segurados.

No final, a conclusão é clara: um seguro para animais pode ser a diferença entre salvar a vida do nosso companheiro ou enfrentar uma decisão impossível. Mas requer leitura atenta, perguntas difíceis e a consciência de que nem tudo o que reluz é ouro. Como nos disse um veterano do setor que preferiu não ser identificado: 'O melhor seguro é aquele que esperas nunca precisar, mas que quando precisas, realmente funciona.'

A nossa recomendação? Compare pelo menos três propostas diferentes, peça esclarecimentos por escrito sobre todas as exclusões, e não se deixe levar apenas pelo preço mais baixo. O seu animal de estimação merece que faça os trabalhos de casa antes de assinar qualquer coisa.

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