Seguro para animais: o que ninguém lhe conta sobre proteger o seu companheiro

Seguro para animais: o que ninguém lhe conta sobre proteger o seu companheiro
Quando adotou o Max, um labrador de três anos com olhos que prometiam aventuras infinitas, Maria nunca imaginou que uma simples visita ao veterinário poderia custar mais do que as suas férias anuais. O diagnóstico: uma torção gástrica que exigia cirurgia imediata. Foi então que descobriu o mundo complexo dos seguros para animais de estimação – um território onde a desinformação reina e as letras pequenas podem ditar a diferença entre a vida e a morte.

Em Portugal, apenas 8% dos tutores possuem seguro para os seus animais, segundo dados da Associação Portuguesa de Seguradores. Um número surpreendentemente baixo quando comparado com países como o Reino Unido, onde mais de 40% dos cães e gatos estão protegidos. A pergunta que se impõe é: por que razão os portugueses resistem a proteger financeiramente os seus companheiros de quatro patas?

A resposta pode estar nos mitos que persistem sobre estes produtos. Muitos acreditam que os seguros são apenas para animais idosos ou de raça, quando na realidade os acidentes não escolhem idade nem pedigree. Um cão jovem pode partir uma pata a correr atrás de uma bola, um gato pode ingerir um corpo estranho enquanto explora a casa – estas emergências custam frequentemente entre 500 a 2000 euros, valores que podem destabilizar orçamentos familiares.

Outro equívoco comum: pensar que o seguro cobre apenas tratamentos de emergência. As apólices mais completas incluem consultas de rotina, vacinas, desparasitações e até tratamentos dentários. Algumas oferecem mesmo cobertura para doenças crónicas como diabetes ou problemas cardíacos, condições que exigem medicação vitalícia e consultas regulares.

Mas nem tudo são rosas no jardim dos seguros animais. As exclusões são frequentemente a armadilha mais perigosa. Muitas apólices não cobrem condições pré-existentes – se o seu animal já teve uma otite antes de contratar o seguro, futuras infeções no mesmo ouvido podem não ser cobertas. Outras excluem raças consideradas de risco ou impõem limites de idade para novos contratos.

O preço varia consideravelmente consoante a espécie, raça, idade e localização geográfica. Um seguro básico para um gato pode custar menos de 10 euros mensais, enquanto a proteção completa para um cão de raça grande pode ultrapassar os 40 euros. Parece muito? Compare com o custo de uma cirurgia de emergência: uma simples remoção de corpo estranho intestinal pode custar 1500 euros.

A escolha do plano certo exige uma análise honesta do estilo de vida do animal. Um gato indoor pode necessitar de cobertura diferente de um cão que acompanha o tutor em caminhadas pela serra. Animais que participam em desportos caninos ou atividades de trabalho merecem proteção adicional para acidentes relacionados com essas atividades.

As seguradoras estão a evoluir para acompanhar as novas realidades dos tutores. Já existem apólices que cobrem terapia comportamental, fisioterapia e até tratamentos de medicina alternativa como acupuntura. Algumas oferecem mesmo serviços de telemedicina veterinária, permitindo consultas por videochamada para questões menos urgentes.

Um aspeto frequentemente negligenciado: a cobertura de responsabilidade civil. Se o seu cão causar danos a terceiros ou aos seus bens, esta proteção pode salvá-lo de processos judiciais e indemnizações avultadas. Em alguns municípios portugueses, esta cobertura é mesmo obrigatória para certas raças.

A burocracia não deve ser subestimada. Manter um registo completo do historial veterinário do animal – incluindo vacinas, tratamentos e quaisquer condições diagnosticadas – é essencial para evitar conflitos durante o processo de reclamação. Fotografar documentos e guardar recibos em formato digital pode simplificar significativamente este processo.

O momento ideal para contratar? Quanto mais cedo, melhor. Animais jovens e saudáveis têm prémios mais baixos e menos exclusões. Esperar até surgirem os primeiros problemas de saúde pode significar pagar mais por menos cobertura.

No caso de Maria, a decisão de não segurar Max custou-lhe as poupanças de um ano. Hoje, tornou-se defensora fervorosa da proteção financeira para animais. "As pessoas pensam que os seguros são um luxo", conta, acariciando as orelhas do seu companheiro recuperado. "Na verdade, são uma necessidade. O amor que temos pelos nossos animais deve incluir a responsabilidade de lhes garantir os cuidados de que precisam, quando precisam."

À medida que a medicina veterinária avança e os tratamentos se tornam mais sofisticados – e caros – a questão deixa de ser se podemos pagar um seguro, mas se podemos arcar com as consequências de não o ter. A proteção do nosso companheiro é, no fundo, a proteção da nossa própria paz de espírito.

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